Notícias de Nutrição | Edição nº 6

Todos os meses aparecem novas descobertas e notícias questionáveis na área da saúde e nutrição. Nesta nova edição das Notícias de Nutrição, Harriet Smith, nutricionista registrada no Reino Unido, conta-nos o que aconteceu em setembro no mundo das Ciências da Nutrição.

O pensamento crítico e a análise completa de artigos recentes da nutrição é o que queremos oferecer a cada mês. Nesta edição, você pode ler mais sobre como os refrigerantes, os padrões alimentares e um copo de vinho tinto podem afetar nossa saúde.

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A associação entre o consumo de refrigerantes e a mortalidade em 10 países europeus

Um estudo europeu descobriu que pessoas que bebem dois ou mais copos de refrigerante por dia (incluindo bebidas adoçadas artificialmente) aumentam o risco de mortalidade por todas as causas em comparação com aqueles que bebem um copo ou menos por dia.

O estudo, realizado com mais de 450.000 pessoas de 10 países diferentes, analisou dados do centro de Investigação Prospectiva sobre o Câncer e Nutrição da Europa (EPIC). Os participantes foram acompanhados por uma média de mais de 16 anos desde o recrutamento inicial.

Os investigadores observaram que beber dois ou mais copos de refrigerantes por dia estava positivamente associado a mortes por doenças circulatórias. Além disso, beber um ou mais copos de refrigerantes açucarados por dia está associado a morte por doenças digestivas.

É importante lembrar que a associação não infere causalidade; são necessários mais ensaios clínicos randomizados em humanos antes de concluir se é provável que os refrigerantes sejam prejudiciais à saúde humana.

As dietas vegetarianas e veganas estão relacionadas com um menor risco de doença cardíaca e um aumento no risco de acidente vascular cerebral

Um novo estudo com mais de 48.000 adultos, no Reino Unido, descobriu que as pessoas que disseram seguir uma dieta vegetariana ou vegana eram menos propensas a desenvolver doenças cardíacas nos próximos 18 anos. No entanto, são mais propensas a sofrer um acidente vascular cerebral.

O estudo, publicado no British Medical Journal, calculou que por cada 1.000 vegetarianos no estudo, houve 10 casos a menos de doenças cardíacas, mas mais 3 acidentes vasculares cerebrais, em comparação com os consumidores de carne, por um período 10 anos. Os pescetarianos tiveram um risco reduzido de desenvolver doença cardíaca, mas não houve diferença no risco de acidente vascular cerebral.

É importante estar ciente das limitações desta investigação; estudos observacionais não significam que uma variável (como por exemplo, o tipo de dieta) cause um resultado específico. Fatores de confusão também podem ter influenciado os resultados.

Os investigadores acreditam que o baixo risco de doença cardíaca em vegetarianos, veganos e pescetarianos pode ser devido a níveis mais baixos de IMC, pressão arterial e colesterol. No entanto, a razão pela qual os vegetarianos tiveram um risco maior de derrame hemorrágico permanece incerta e são necessários mais estudos.

De modo geral, este estudo não fornece evidências científicas suficientes para incentivar a mudar para uma dieta vegetariana/vegana. É possível ter uma dieta saudável e equilibrada, independentemente de comer ou não produtos à base de carne.

Um estudo constata que os benefícios do vinho tinto estão relacionados a uma melhor saúde intestinal

Um estudo do King's College London (KCL) descobriu que as pessoas que bebem vinho tinto têm uma maior diversidade da microbiota intestinal (um marcador da saúde intestinal) em comparação com aqueles que não bebem vinho tinto. Além disso, os investigadores observaram que aqueles que bebem vinho tinto têm níveis mais baixos de obesidade e colesterol "ruim".

Uma equipe de investigadores do Departamento de Pesquisa e Genética em Epidemiologia em Gêmeos, do King’s College London, explorou os efeitos de diferentes bebidas alcoólicas (cerveja, vinho tinto, vinho branco e destilados) no microbioma intestinal em 916 mulheres gêmeas do Reino Unido.

A associação entre quem bebe vinho tinto e a maior diversidade da microbiota intestinal não foi observada com as outras bebidas alcoólicas. Os autores acreditam que o principal motivo da associação se deve aos diversos polifenóis do vinho tinto.


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